Caraça

O Parque Natural do Caraça:

Num trecho da Serra do Espinhaço, entre os municípios de Catas Altas e Santa Bárbara, em Minas Gerais, encontra-se um pedaço do Paraíso. Trata-se do Parque Natural do Caraça, que abriga o Santuário do Caraça e uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de 11233 hectares, propriedade da Província Brasileira da Congregação da Missão.

Aqui, história, cultura, religião e natureza se misturam num cenário esplendoroso, em meio a um Parque com um vasto acervo ecológico, uma das poucas partes do Brasil onde a Mata Atlântica se junta ao cerrado, numa zona de transição de biossistemas.

A região possui uma extensa variedade de plantas e animais. São encontrados por lá árvores como o jacarandá, a peroba, o cedro e a candeia, além de mais de 200 espécies de orquídeas. Entre os animais, muitos deles estão em extinção. Alguns exemplos são o lobo-guará, o caxinguelê, o falcão e o tamanduá-mirim entre outros. O cenário fica ainda mais bonito com a presença de picos, cascatas, represas e piscinas naturais espalhadas pela região.

O Parque guarda mais de dois séculos de história, que se iniciaram no Ciclo do Ouro, com a chegada do religioso Irmão Lourenço, que edifica uma Ermida, pequena capela em estilo barroco (1775-1779), mais tarde demolida para a construção do Santuário em estilo neogótico (1876-1883), e funda a Irmandade de Nossa Senhora Mãe dos Homens.

 

O Colegio do Caraça:

A sua história teve início ainda no século 18 com a construção do Santuário de Nossa Senhora Mãe dos Homens. Fundado em 1820 pelos irmãos Lazaristas Antônio Ferreira Viçosa e Padre Leandro Rabelo Peixoto, o Colégio do Caraça foi durante muito tempo uma referência na educação nacional. Era conhecido pela sua rigidez e capacidade de formar um tipo ideal conservador de homem. O colégio não tinha o objetivo de formar profissionais especializados. De acordo com a historiadora Mariza Guerra de Andrade "o seu valor deve ser entendido pela dimensão preparatória para a vida pública – tratava-se de educar aqueles que não eram como todos, mas como poucos, daí seu caráter socialmente classificador". Entre os mais ilustres que por lá passaram estão: Affonso Pena, Artur Bernardes e outros. As aulas duraram de 1820 a 1912. Em 28 de maio de 1969 houve um incêndio no Colégio do Caraça no edifício ocupado pelos alunos, que destruiu parte das edificações, dentre elas a biblioteca com mais de 20 mil volumes, salas de aulas, gabinete e o teatro.

O Santuário do Caraça:

O complexo do Santuário de Nossa Senhora Mãe dos Homens e o antigo colégio setecentista formam um conjunto arquitetônico de inestimável valor histórico-cultural. Construído em estilo neogótico, o Santuário e uma joia incrustada na Serra do Caraça, com suas ogivas e colunas altas, altares, janelas, vitrais  e rosáceas, alem de obras de arte sacra e a famosa Santa Ceia de Mestre Ataíde.

Mesmo tendo sido feita em estilo arquitetônico francês, a Igreja do Caraça foi construída sem mão-de-obra escrava e toda com material regional: pedra sabão (retirada de perto da Cascatona), mármore (das proximidades de Mariana e Itabirito) e quartzito (da região do Caraça e vizinhanças), unidas com um produto a base de cal, pó de pedra e óleo.

Construiu-se, assim, a primeira igreja neogótica do Brasil: toda ela desenhada, projetada e edificada por um Padre da Missão, na Serra do Caraça.

Vista geral do complexo do Santuário

A catedral neogótica

Frontispício da catedral

Vitrais franceses

A nave da catedral com suas ogivas e colunas altas

Outra vista do complexo

Museu do Caraça


Lobo Guará, uma das atrações do Parque

 

O Parque do Caraça:

Principais atracões do Parque:

Picos:

Para os adeptos de escalada, a Serra do Caraça possui sete picos:  Pico do Sol (o mais alto da Cadeia do Espinhaço, 2072m), o Pico do Inficionado (2068m), o Pico da Carapuça (1955m), o Pico da Canjerana (1890m), Pico da Conceição (1800m), Pico Três Irmãos (1675m) e o Pico da Verruguinha (1650m).  É bom ressaltar que para vencer os obstáculos naturais destas trilhas, que minam a resistência de quem se arrisca, é preciso ter bom preparo físico, boa coordenação motora e estar acompanhado dos guias cadastrados no Parque.

Pico do Sol:

“O início da caminhada para o Pico do Sol é suave: são 2 km até a Cascatinha, uma das pérolas do Caraça. A subida começa por ali, exatamente onde o acompanhamento dos Guias começa a ser imprescindível e onde os próprios Guias começam a observar e avaliar melhor as condições físicas e a destreza das pessoas.

Ao atravessar o riacho no topo da Cascatinha, não há quem não pare para apreciar a vista deste mirante, com suas piscinas naturais refletindo o azul do céu antes da queda d’água. É simplesmente fascinante!

Após a travessia de uma mata e de um pequeno platô, inicia-se a subida mais exigente. À medida que se vão superando os obstáculos rochosos, o grau de dificuldade vai aumentando até atingir um outro platô, um grande mirante, o portal de entrada para o vale do Pico. A subida torna-se, então, mais suave, mas o vale é longo. Ora se caminha pelo leito rochoso do riacho que existe ali, apreciando suas corredeiras e piscinas, ora pelas margens que desenham sua sinuosa formosura.

Mesmo com o cansaço físico, devido ao longo percurso e às dificuldades do caminho, a exuberante beleza do vale nos impele e encoraja a continuar. No fim do vale, um abrigo em forma de concha, uma parada para descansar, reabastecer os cantis e se preparar para a última etapa, o ataque final.

Novamente uma subida íngreme e logo se chega ao topo do majestoso Pico do Sol, o cume da Cadeia do Espinhaço, depois de percorridos pelo menos 10 km. Um misto de realização pessoal e visão transcendente permeia e envolve aqueles que ali chegam”.

Fotos do Pico do Sol

Pico do Inficionado:

“Todas as trilhas que levam ao Pico do Inficionado atravessam o mosaico natural característico das áreas de transição da Mata Atlântica para o Cerrado, entremeadas pelos Campos de Altitude e pelos Campos Rupestres.

São 5 km até a base do Pico. No início, a subida é forte e íngreme, exigindo grande esforço e o uso das mãos para vencer os obstáculos. O que só reforça a exigência de que este caminho seja sempre feito com o acompanhamento de guias cadastrados no Caraça. Após esta etapa, a subida é menos fatigante, passando por diversos platôs que permitem observar as belas paisagens e relaxar antes do ataque final.

A última fase também é uma subida acentuada, passando por uma laje de pedra bem inclinada. O esforço é grande, mas a chegada é um espetáculo à parte. Depois de pelo menos 9 km, chega-se ao cume do Inficionado. Uma escultura gigantesca!

O Inficionado é um pico incomum, recortado por fendas profundas, em quase todas as direções, formando uma paisagem única, de beleza indescritível. Além do mais, lá está o maior abismo de mundo em quartzito: a Gruta do Centenário.

Realmente, só uma palavra aproxima-se de sua definição: surreal!”

Fotos do Inficionado

Cachoeiras:

Cascatinha:

A Cascatinha, formada por 4 quedas d’água e 4 piscinas naturais, localiza-se a 2 km do Santuário, por uma trilha de fácil acesso. Medindo 40 m, suas águas nascem acima das quedas, de onde vêm saltando pela encosta e pelas pedras. Suas águas, puras e espumantes, têm uma coloração amarelada que aumenta de intensidade no tempo das chuvas, em razão das matérias orgânicas que descem da Serra.

Cascatona:

A trilha de 6 Km que leva até a Cascatona é toda pela área de Mata Atlântica, consideravelmente fechada pelas árvores e com caminhos nem sempre muito fáceis de serem percorridos, especialmente no tempo das chuvas. A trilha várias vezes se fecha e, nas partes mais acidentadas e íngremes, exige um esforço maior. Chegando até à Cascatona, o visitante pode ir até o Oratório, de onde se tem bela vista panorâmica, e também pode descer até os poços da cachoeira, para um banho ou um mergulho em suas águas geladas. Para tanto, precisa descer pelas pedras, por um caminho muito escarpado e íngreme.

Gruta do Centenário:

A mais profunda caverna de quartzito do mundo.

Os primórdios da espeleologia brasileira nos séculos XVIII e XIX confundem-se com a história do Caraça. São desta época (1818) os relatos de dois naturalistas europeus, Spix e Martius, que citavam a existência de diversas fendas na Serra do Caraça: “Ressoa a montanha em diversos pontos com o estrondo de águas subterrâneas, que correm entre fendas e falhas de pedra, e finalmente aparecem embaixo, como frescas nascentes”. (Spix e Martius, 1838). Não é leviano pensar que eles se referiam à “Gruta do Inficcionado”.

Desde o século XIX as grutas do Pico do Inficionado já eram conhecidas. Pesquisadores e naturalistas que percorreram a região nessa época já citavam a existência de rios subterrâneos. Contudo, os primeiros registros espeleológicos só ocorreram em 1952, quando os padres do Colégio do Caraça fizeram uma topografia rudimentar da Gruta do Centenário.

A Gruta possui 3.790 m de comprimento e um desnível de 481 metros e várias entradas, quase sempre em forma de abismos. As altitudes destas entradas variam de 2.051 metros na entrada superior, 1.958 metros na entrada clássica até 1.881 metros no Abismo do Inficionado.

Devido ao seu difícil acesso, complexidade e perigo envolvidos, a Gruta do Centenário não faz parte das atrações oficiais do Parque a serem visitadas. Nem mesmo os guias registrados do Caraça tem acesso lá.

 

Bocaina:

A Bocaina encontra-se entre o Pico do Inficionado e a Caraça. É um grande desfiladeiro, neste contraforte da Serra do Espinhaço. É a Bocaina que propriamente nomeou o Caraça como tal. Em tupi-guarani, caraça é desfiladeiro ou, como hoje dizemos, bocaina, uma grande depressão situada numa serra. Sua trilha mede em média 5 Km e se vai até lá tomando o caminho da Cascatinha, no estacionamento dos visitantes. Já na trilha, toma-se à direita na terceira entrada, atravessa-se o rio e continua-se em frente, sempre em direção à garganta do Gigante, que está de perfil, deitado na Serra do Espinhaço. Quando se chega pela trilha à Pedra da Paciência, um afloramento rochoso, segue-se em frente, descendo até sua base, seguindo as setas indicativas, pintadas na rocha, até a Bocaina. Bocaina, além da beleza das montanhas e dos campos por onde se passa, oferece uma série de quedas d’água, piscinas naturais e córregos para o descanso e o lazer.


Perfil do Gigante Deitado

Gruta da Bocaina:

“Entrar no vale da Bocaina parece uma aventura em um passado remoto, há alguns milhares de anos. Uma paisagem primitiva. Logo no início do vale a incrível visão da cachoeira revela uma das belezas escondidas no desfiladeiro.  A Gruta fica a aproximadamente 1 Km, subindo pelo leito pedregoso do rio. O vale é encantador e a cada curva do rio vão se desvendando novas paisagens. Pouco antes da Gruta existe um “minicanion” onde a parada é obrigatória para admirar e fotografar sentado à beira de um paredão negativo. Cinco minutos acima encontra-se a Gruta. É preciso usar lanterna para entrar. O primeiro salão é amplo e nota-se a presença de um rio em seu interior, que, aliás, percorre quase toda a extensão da Gruta. Prosseguindo por um corredor estreito, que vai se afunilando até caber apenas uma pessoa, chega-se ao segundo salão, onde há uma pequena queda d’água. Para experimentar e absorver a energia do lugar é essencial apagar as lanternas, ouvir o som das águas, sentir o microclima ambiente e meditar. Um passeio verdadeiramente imperdível!”

Campo de Fora:

A trilha para o Campo de Fora começa logo depois da Casa da Ponte, entrando-se à esquerda. São 7 km de caminhada. O Campo de Fora é de grande beleza, especialmente por sua vegetação, seu relevo e suas cachoeiras, que só podem ser alcançadas com o acompanhamento dos guias cadastrados no Caraça, devido à distância e às dificuldades de acesso.

Contato

  • Estrada do Caraça - Km 2,6 - Brumal - Santa Barbara - MG